Resposta direta: numa simulação com R$ 6.600 de faturamento bruto no mês, o motorista fica com R$ 2.985,53 líquidos na Uber (comissão de 25%), R$ 3.315,53 na 99 (20%) ou R$ 3.645,53 na InDriver (15%). Numa plataforma própria com comissão 0% e valores fixos — modelo usado pela Mind Group — o mesmo motorista chega a R$ 4.635,53 líquidos: de R$ 990 a R$ 1.650 a mais por mês, sem rodar uma hora extra.

Quanto motoristas de app ganham hoje no Brasil?
Segundo pesquisa do IBGE divulgada em outubro de 2025, motoristas de aplicativo no Brasil ganham em média R$ 2.766 por mês, o equivalente a R$ 13,90 por hora trabalhada, numa jornada média de 45,9 horas semanais — mais que as 40,9 horas de taxistas tradicionais. O dado importante não é só o valor mensal, mas o valor por hora: o motorista de app ganha mais no mês porque roda mais horas, não porque o pagamento por hora seja melhor. Isso torna a comissão retida pela plataforma um fator decisivo no ganho real, já que ela incide sobre cada corrida, hora após hora.
Quanto cada plataforma cobra de comissão?
As comissões variam bastante entre plataformas: a Uber retém cerca de 25% do valor da corrida, a 99 cerca de 20%, e a InDriver, que permite ao motorista negociar o preço com o passageiro, cerca de 15%. Já nas plataformas white label como a da Mind Group, o operador paga um valor fixo mensal pela tecnologia — não uma fatia de cada corrida —, o que na prática significa 0% de comissão sobre o motorista.
Simulação: mesma corrida, comissão diferente
Para comparar de forma justa, usamos o mesmo cenário nas quatro situações: R$ 6.600 de faturamento bruto em 22 dias de trabalho, carro flex a etanol (8,5 km/l, R$ 4,20/litro) e velocidade média urbana de 15 km/h — o que gera R$ 1.304,47 de combustível e R$ 660 de manutenção/depreciação no mês, custos iguais nos quatro cenários.
| Plataforma | Comissão | Valor retido | Líquido no mês* |
|---|---|---|---|
| Uber | 25% | R$ 1.650,00 | R$ 2.985,53 |
| 99 | 20% | R$ 1.320,00 | R$ 3.315,53 |
| InDriver | 15% | R$ 990,00 | R$ 3.645,53 |
| App próprio (white label, valor fixo) | 0% | R$ 0,00 | R$ 4.635,53 |
*Já descontados combustível (R$ 1.304,47) e manutenção/depreciação (R$ 660) em todas as linhas.
A diferença é exatamente o valor da comissão retida: rodando pela Uber, o motorista abre mão de R$ 1.650 por mês em comparação a uma plataforma de comissão 0% — um aumento de 55% no lucro líquido sem mudar de carro, de cidade ou de jornada. Frente à 99, a diferença é de R$ 1.320; frente à InDriver, R$ 990.

Por que uma plataforma própria consegue comissão 0%?
A diferença está no modelo de negócio, não em boa vontade da plataforma. Uber, 99 e InDriver são marketplaces: ganham dinheiro cobrando uma fatia de cada corrida que passa pelo aplicativo delas. Já numa plataforma white label, como a da Mind Group, o operador (a empresa ou cooperativa local) paga um valor fixo pela licença de uso da tecnologia — a partir de R$ 20 mil, conforme detalhado no guia de custos de um app tipo Uber em 2026 — e é livre para definir como cobra dos motoristas. A grande maioria opta por não cobrar comissão nenhuma, porque isso vira o principal argumento de recrutamento contra Uber e 99 na cidade.
O que isso significa para quem vai lançar um app de corridas
Para quem está avaliando lançar uma operação própria, esse número vira uma ferramenta de recrutamento concreta: mostrar ao motorista, com uma conta simples, quanto a mais ele ganha por mês saindo de uma comissão de 25% para 0% costuma ser mais convincente do que qualquer discurso institucional. É também um argumento de retenção — motorista satisfeito com o ganho líquido tende a priorizar corridas do app local nos horários de pico, o que melhora o tempo de espera do passageiro e fortalece o efeito de rede da plataforma na cidade. O guia de recrutamento e retenção de motoristas detalha outras táticas que funcionam junto com esse argumento financeiro.
Perguntas frequentes
A Uber ou a 99 podem reduzir a comissão no futuro?
É pouco provável: a comissão é a principal fonte de receita dessas plataformas, e qualquer redução tende a ser pontual (promoções regionais), não uma mudança estrutural de modelo de negócio.
Plataformas com comissão 0% cobram algo do motorista?
Normalmente não. Quem paga pela tecnologia é o operador local (dono do app na cidade), não o motorista — o modelo é o oposto do marketplace tradicional.
Esses valores mudam de cidade para cidade?
Sim. O faturamento bruto por corrida varia com a tarifa local, a densidade de demanda e o preço do combustível na região — mas a proporção da diferença entre comissão de 25% e 0% se mantém.
Um motorista pode rodar em mais de um app ao mesmo tempo?
Sim, é comum o multihoming entre Uber, 99 e o app regional. Por isso operadores locais costumam usar o ganho líquido maior como argumento para virar a prioridade do motorista nos horários de pico.
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